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05-05-2020

Primeiro dia da reabertura de lojas traz esperança mas também incertezas



Ainda que com um sabor agridoce, foram vários os negócios que ontem puderam reabrir, ao fim de longos dias de encerramento devido à pandemia. Na Baixa de Coimbra viam-se alguns estabelecimentos de portas abertas, como “lojinhas” de lembranças, cabeleireiros e barbearias. E é certo que essa reabertura trouxe, por um lado, um pouco de esperança mas, por outro, um sentimento de incerteza daqueles que serão os dias que se avizinham. O trânsito também se fez notar, mas isso não foi sinónimo de muitas pessoas pelas ruas. E bem no centro da cidade, nas ruas Ferreira Borges e Visconde da Luz, o silêncio continuou a predominar.
Flora Carvalho, empregada do estabelecimento Malabar, umas das primeiras “lojinhas” que dá as boas-vindas à Baixa de Coimbra, partilhou que esta reabertura «pode ser um sinal de esperança».
«Nós não contamos vender muito. Mas abrir já é um bom sinal», contou Flora Carvalho que, desde que tinha aberto há cerca de uma hora, ainda não tinha tido clientes.
Quanto às regras, essas são claras para todos. «Todas estas adaptações estão a ser feitas devagarinho. Desinfectamos a loja todos os dias antes de abrir. Andamos de máscara, os clientes só entram de máscara, temos desinfectante nos balcões para os clientes e para nós e também temos máscaras para uma situação excepcional, por exemplo, alguém que passa sem máscara mas quer um artigo da nossa loja», disse Flora Carvalho, confiante de que daqui para a frente os comportamentos vão mudar. «Nós aqui na loja sempre fomos muito à antiga. Gostamos de olhar e tocar no artigo. Somos muito do toque. Mas, a partir de agora, tem de ser diferente e nós estamos conscientes disso», referiu, acrescentando ainda que a loja vai ter também um acrílico no balcão «para manter o distanciamento dos clientes».
Quem também abriu portas foi a “Casa da Sorte” e, segundo Artur Ribeiro, funcionário do estabelecimento, alguns clientes já foram tentar a sua sorte neste primeiro dia de reabertura.
«Ainda estamos com pouca afluência porque também é o primeiro dia. Mas, ainda assim, as pessoas já vieram tentar sua a sorte com a compra de raspadinhas», contou Artur Ribeiro, devidamente protegido de máscara, e do outro lado do balcão, com um acrílico que o separa dos clientes.
«Aquilo que nós esperamos é que venham tempos melhores para ver se a economia mexe um bocadinho», disse.
Mais à frente, e ao percorrer uma Baixa nunca antes vista, José Rénio, proprietário da Papelaria Cristal, não hesitou em dizer: «É mau». «Em 90% do nosso negócio nós trabalhamos com o turista. E agora não há turistas. Nós viemos por vir e é um descargo de consciência mas pode ser que para o mês que venha já se veja mais gente e abram mais negócios», mencionou José Rénio, na esperança de que «em Agosto seja possível ter turistas». «Se não, vai ser uma desgraça. É um ano perdido praticamente», sublinhou.
Maria Sousa é proprietária de um cabeleireiro na Baixa há praticamente 14 anos e confessou que «com calma vai-se fazendo o trabalho». Ontem, atendeu cinco clientes que tanto aguardavam por este momento e foram poucas ou até nenhumas as adaptações que teve de fazer na reabertura do salão, uma vez que sempre trabalhou sozinha e sempre foi por marcação.
«Sempre tive tudo como deve ser. Vai tudo para a máquina de lavar com lixívia, tenho desinfectantes, tenho o papel a informar, estou de máscara e a cliente também tem de vir de máscara. Se quiser, vem de luvas também, se não, desinfecta as mãos», sublinhou Maria Sousa que, além de desinfectar tudo entre uma cliente e outra, só atende uma cliente e, a seguinte, aguarda no exterior.
«Faz muita falta trabalhar. Pagar contas sem ter de onde venha o dinheiro é complicado. Esperamos que isto nos deixe trabalhar à vontade porque faz falta o trabalho para me manter activa», disse.
Na barbearia de João Couceiro, que está ali instalado há longos anos e fechou desde dia 19 de Março, a procura é «muito grande mas também há uma dificuldade em dar resposta a esses mesmos clientes».
«Tenho de fazer marcações e atender o telemóvel. E perde-
-se tempo a fazer a higienização das ferramentas. Ou seja, a rentabilidade do tempo não é a mesma do que era. É um condicionalismo muito grande», afirmou João Couceiro, que já conta com pelo menos 10 marcações durante a semana e que neste momento está a trabalhar sozinho.
«O meu colega já tem uma certa idade e não compensa estarmos aqui os dois. Temos movimento para isso, é verdade, mas primeiro vamos tentar perceber um pouco mais como vai ser o comportamento das pessoas», concluiu.
A primeira fase da reabertura de alguns espaços está concluída mas os próximos passos para o abrir de portas de novos estabelecimentos ainda são uma incógnita. Luís Miguel, proprietário de três «casas de restauração carismáticas» da cidade, viu-se obrigado a fechar uma e, confessa, «ninguém está preparado para um desafio como este». «A questão é: como é que vamos sobreviver e até que ponto vale a pena abrir portas. Eu só vou abrir porque estou a acreditar e não podemos baixar os braços», concluiu


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