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05-05-2020

“Corrida” aos cabeleireiros na reabertura do comércio local



O comércio local abriu ontem as portas no âmbito das medidas de desconfinamento anunciadas pelo Governo e, em Viseu, ficou marcado pela ‘corrida’ aos barbeiros e cabeleireiros. Ao início da manhã era possível ver filas de espera à porta de muitos dos estabelecimentos, como foi o caso da Barbearia da Ribeira, com o proprietário, Abílio Aparício, a não se mostrar surpreendido com a quantidade de pessoas que aguardavam pela sua vez.
“Não estou surpreendido”, explicou ao nosso Jornal, admitindo que nos primeiros dias haverá muito trabalho, tendo em conta esteve fechado desde o dia 19 de Março. “São muitas pessoas, nós agora só somos três – em vez dos habituais cinco – a atender para garantir as distâncias de segurança, mas vamos atender toda a gente”, garantiu.
Os últimos dias foram passados a higienizar e a preparar o estabelecimento, localizado a poucos metros da Casa da Ribeira e da Escola da Ribeira, junto ao Rio Pavia, para a reabertura. Para trás ficam semanas de confinamento e de preocupação, porque foi preciso pagar as contas sem que houvesse dinheiro a entrar.
Jorge Santos era um dos muitos homens que, nas imediações da barbearia, aguardava a sua vez. Há duas horas à espera de ser atendido e mesmo perante a possibilidade de só conseguir cortar o cabelo à tarde não colocou a hipótese de cortar o cabelo noutro estabelecimento. “Já sou cliente há algum tempo e não vou a outro lado”, explicou.
O viseense assegurou ainda que nunca se sentiu ‘tentado’ a cortar o cabelo em casa durante o período de confinamento. “Em casa: só lavar e pentear”, garantiu.
A Casa da Sorte, na Rua Formosa, também reabriu ontem, depois de várias semanas de portas fechadas. Munidos de viseiras, protecções de acrílico e spray desinfectante começaram a atender novamente clientes. “O movimento está longe de ser o mesmo em comparação com o período antes da pandemia e, para quem está habituado a um atendimento de proximidade com o cliente, como nós, é uma situação um pouco estranha”, admitiu Paulo Figueiredo, um dos operadores, que, mesmo assim se mostrou satisfeito por voltar ao contacto com os clientes. “É o regresso à normalidade possível, para já”, acrescentou, lembrando que, devido ao distanciamento necessário também estão menos operadores a trabalhar.
Um pouco por todo o centro histórico era ontem possível ver espaços comerciais a reabrir ou a preparar a reabertura. Na Rua do Comércio, por exemplo, eram várias as pessoas a aguardar, nos passeios, a sua vez para entrarem nas lojas.
Depois de várias semanas de portas fechadas e ruas quase desertas, a reabertura dos estabelecimentos comerciais locais voltou a dar alguma vida ao centro da cidade.


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