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23-03-2005

Água não vai faltar nos próximos tempos


Alberto Roque anuncia criação de Gabinete de Crise em Aveiro

Apesar de não se perspectivar falta de água em Aveiro «nos tempos mais próximos», os Serviços Municipalizados criaram um Gabinete de Crise, responsável pela elaboração de um Plano de Contingência O administrador-delegado dos Serviços Municipalizados de Aveiro (SMA), Alberto Roque, garantiu ontem que não se perspectiva falta de água no concelho «nos tempos mais próximos». Apesar disso, o responsável anunciou a criação de um Gabinete de Crise, responsável pela elaboração de um Plano de Contingência, ontem divulgado, contendo um conjunto de medidas e recomendações. O documento, que agora conheceu a sua primeira versão, pode vir a sofrer alterações, se a situação de seca se agravar. Alberto Roque adiantou ao Diário de Aveiro que se verifica hoje uma «situação de seca hidrológica que resulta da seca meteorológica», obrigando à adopção de medidas de prevenção. «Temos de nos preparar para o que possa acontecer. Os recursos hídricos são diminutos, por isso estamos a fazer um plano de intervenção ao longo do ano», revelou. Em Aveiro a falta de água é mais difícil de combater por não haver uma barragem que permita criar uma reserva, acrescentou. Segundo o administrador-delegado dos SMA, a população local «deve estar consciente do que pode acontecer», lembrando que se trata da pior seca dos últimos 60 anos. É necessário, por isso, «precaver para o pior cenário». O Plano de Contingência, proveniente do Gabinete de Crise criado pelos serviços camarários, enumera um conjunto de sete intervenções para fazer face ao «problema da seca e falta de água para consumo humano». Proceder a novos furos e captações fazem parte da lista de medidas, assim como a realização de um inventário sobre a qualidade da água de fontes, fontanários e nascentes usados para fornecimento de água para consumo humano, em cooperação com o delegado de saúde de Aveiro e as juntas de freguesia. No elenco de acções figura ainda a realização de uma campanha de sensibilização junto da população visando a poupança de água e o seu «uso racional», a articulação do Plano de Contingência com o Sistema Regional do Carvoeiro (que assegura o abastecimento dos municípios de Aveiro, Albergaria-a-Velha, Águeda, Estarreja, Ílhavo, Murtosa e parte de Ovar) e a avaliação das captações existentes. Recentemente, o Instituto da Água (INAG) considerou Aveiro - juntamente com Guarda, Faro, Beja e Castelo Branco - um dos cinco distritos com maiores problemas no abastecimento público de água, situação provocada pela «seca extrema» que assola o país e que afecta pelo menos 5.356 pessoas. De acordo com o Relatório Quinzenal de Acompanhamento da Seca, o quarto distrito mais afectado é o de Aveiro, onde na localidade de Pessegueiro do Vouga, em Sever do Vouga, cerca de 750 pessoas têm dificuldades relacionadas com falta de água. A seca prolongada levou a Associação de Lavoura do Distrito de Aveiro (ALDA) a enviar uma exposição ao Governo pedindo a determinação do estado de calamidade. A instituição pretende que o Governo determine «o estado de calamidade agrícola, accionando os mecanismos de compensação financeira» e que intervenha junto da Comissão Europeia «para que accione o Fundo de Solidariedade Europeu para a Agricultura». A ALDA defende ainda que o Governo deverá propor a Bruxelas autorização para o pagamento final das ajudas da campanha anterior e antecipação dos pagamentos das ajudas da campanha actual, como forma de minimizar a situação aflitiva dos agricultores. Segundo a associação, a prolongada ausência de chuva tem afectado as pastagens, criando sérios problemas à alimentação do gado. SMA explicam como poupar água Os SMA preparam-se para lançar uma campanha de informação dirigida à população com o objectivo de revelar as melhores maneiras de poupar água. Eis algumas das recomendações: Na casa de banho + tomar duches rápidos em vez de banho de imersão e não deixar correr a água enquanto se ensaboa (poupança de 30 litros de água) + fechar a torneio enquanto se barbeia ou escova os dentes (poupança de 10 a 30 litros de água) + utilizar o autoclismo só quando necessário (cada descarga gasta 10 a 15 litros de água) Na cozinha + antes de lavar a louça, limpá-la com papel ou deixá-la de molho + não lavar a louça com água corrente e usar a bacia do lava-louça ou um alguidar + na máquina, não lavar a louça com poucas peças, usando a mínima quantidade de detergente necessária No jardim + usar sempre que possível água dos poços ou furos na rega de jardins, lavagem de pátios ou carros + utilizar distribuidores rotativos ou aspersores na rega + captar e armazenar água da chuva para o consumo doméstico (autoclismo, lavagem de pisos, automóveis e rega) através de uma cisterna de um a dois metros cúbicos + em piscinas, efectuar a recirculação da água com tratamento intermédio. Rui Cunha

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