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19-03-2005

A.D. Ovarense vive dias difíceis


Sociedade de desenvolvimento pode ser «tábua de salvação»

O presidente da Ovarense anunciou ontem que o clube já reuniu os parceiros necessários para o complexo desportivo e vai avançar para a constituição de uma sociedade de desenvolvimento. No encontro com os jornalistas, foi apresentado o novo director desportivo para o futebol O futebol da Associação Desportiva Ovarense (ADO) conta, a partir de ontem, com um novo director desportivo. Trata-se de José Manuel Oliveira que vem colmatar a saída de José Rafael, que regressou recentemente a Olhão. Esta é a primeira contratação da ADO com vista à nova orgânica interna do clube. O anúncio foi feito pelo presidente da direcção do clube vareiro, Carlos Brás, que aproveitou a ocasião para apresentar resultados das suas diligências para retirar o clube da grave situação financeira e desportiva em que se encontra mergulhado. O dirigente revelou que tem estado a trabalhar na concretização de uma sociedade de desenvolvimento, «essencial para avançar com a construção do novo complexo desportivo». Carlos Brás anunciou que conseguiu reunir os investidores necessários para levar por diante o projecto, que se vai estender ao longo de 11 hectares na zona desportiva da cidade e pode avançar em Outubro próximo. «Estamos a ultimar os contratos-promessa, em Lisboa, numa operação que envolve o arquitecto Tomás Taveira e o advogado Rui Botica». O dirigente informou que, para levar os projectos a bom termo, o clube terá que constituir, a breve trecho, uma sociedade de desenvolvimento para angariar os parceiros necessários para viabilizar o projecto. «Os investidores são todos multinacionais, alguns portugueses com interesses no exterior e vice-versa», desvendou, assegurando que as negociações estão a correr conforme o planeado e «dentro de um mês estará tudo formalizado para ser apresentado em Assembleia Geral do clube». Sócios decidem A direcção do clube aposta tudo neste projecto e deverá avançar, dentro de sensivelmente duas semanas, com a realização de uma reunião magna para apresentar todos os contornos do negócio aos associados. «Vão ser eles a decidir se podemos avançar ou não», ressalvou Carlos Brás, que anunciou igualmente a vontade de constituir uma SAD, da qual a Ovarense será detentora de 58 por cento, e em que os investidores serão parceiros. O dirigente mostra-se convicto que esta operação resolverá todos os problemas do clube, a começar com o pagamento dos ordenados em atraso aos jogadores da equipa. A Câmara Municipal de Ovar voltou a estar na mira de Carlos Brás, que criticou a autarquia de estar, alegadamente, a dificultar a prossecução do processo, ao afirmar que neste momento só existe um estudo. O clube espera ultrapassar esta situação na próxima semana: «Na próxima quarta-feira, o projecto da autoria do arquitecto Tomás Taveira vai entrar nos serviços técnicos da Câmara Municipal de Ovar», avançou Carlos Brás. A relação com a Edilidade, considerada difícil, foi também tema de conversa, com o presidente da direcção a reclamar uma dívida no montante de 180 mil euros, situação «que poderia ser resolvida com uma declaração de dívida», lamentou. Entretanto, o presidente garantiu que, na próxima segunda-feira, pagará parte dos ordenados em atraso aos jogadores que não recebem há cinco meses. Luís Ventura

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