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19-03-2005

Expoflorestal quer a internacionalização



Começou ontem e termina amanhã a ExpoFlorestal, em Albergaria-a-Velha. É o maior evento do género na Península Ibérica, pretende incentivar os investidores, promover a sensibilização da preservação do ambiente e quer cativar a participação francesa A organização da Expoflorestal de Albergaria-a-Velha, pretende dar o passo para a internacionalização, a partir da próxima edição, conforme desejo do presidente da Associação Florestal do Baixo Vouga, entidade organizadora do evento, aberto ao público desde ontem e até amanhã. A feira, que vai na quarta edição, já é apresentada como «o maior evento florestal até hoje realizado na Península Ibérica» e conta com a participação espanhola, mas o dirigente diz que é apenas um «princípio de internacionalização». O assunto encontra-se ainda em discussão interna ao nível do promotores do certame mas este é próximo objectivo, como disse ontem ao Diário de Aveiro o presidente da Associação. Nas próximas organizações, espera que participem empresários ou outras instituições de França, além de Portugal e Espanha. Em simultâneo, a organização tenciona passar a feira a bianual, permitindo que os investidores consigam ser «compensados pelos encargos», que não suportam se se realizar anualmente, explica o presidente da Associação que organiza a feira numa parceria com a Associação dos Bombeiros Voluntários de Albergaria-a-Velha e Associação Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente. A Expoflorestal tem vários objectivos, como chamar a atenção da sociedade para a importância do sector, ser um espaço de reunião, de promoção do desenvolvimento da floresta, divulgação das inovações dos equipamentos e técnicas. Apresenta-se num contexto segundo o qual existem «graves problemas conjunturais que continuam a reflectir-se numa crescente desmotização ao investimento e gestão florestal» e para contrariar este aspecto negativo, aponta-se para a criação de uma «forte consciência ecológica na sociedade». As crianças ocupam uma espaço relevante na ExpoFlorestal porque «o grande esforço deve ser ao nível da educação», diz a organização. O programa inclui plantações simbólicas, jogos, apresentação de produtos, demonstrações, encontro de técnicos, actividades culturais, de desportos radicais e exposição de trabalhos escolares, Quem põe os fogos em Albergaria? O assunto dos fogos, um problema intimamente associado à produção florestal, merece particular atenção durante a manhã de hoje, num seminário intitulado «Incêndios Florestais – sinergias para melhor prevenção e combate - parte III». A questão já nem se coloca em termos de causas naturais para a origem dos incêndios. A mão criminosa está sempre presente quando se trata de procurar razões para os desastres que o fogo tem provocado na floresta que ocupa 70 por cento da área do concelho. Em cada incêndio em Albergaria há a mão de um incendiário que o provocou, garantiu alguém que prefere manter sob anonimato. Porque ardem as matas de Albergaria-a-Velha? A explicação de é um responsável numa instituição de referência do poder e é apresentada assim: passaram 10 anos sobre uma vaga de grandes incêndios no concelho, que é o tempo para as árvores ficarem prontas para abate e venda. Acontece que o custo da madeira queimada é mais baixo e, por aí, a explicação até chegar aos suspeitos. Ouvido esta versão, o presidente da Associação Florestal do Baixo Vouga não lhe atribui grande credibilidade, preferindo explicar que os preços descem devido à grande oferta. O presidente da associação lança algumas ideias para diminuir a dimensão dos incêndios florestais que passam «por novas técnicas de plantação, substituição de espécies, redução da carga térmica (limpeza) e mudar a mentalidade das pessoas, criando conhecimento». A representante da Direcção Geral dos Recursos Naturais, diz que para enfrentar a próxima época de fogos está «tudo mais consolidado e a estrutura mais reforçada», enquanto se conclui o Plano Nacional de Defesa da Floresta. João Peixinho

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