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NOTÍCIAS |  | | 13-03-2005
| Por terras de Santa Maria
| | Tradição e desenvolvimento |
| | Localizada junto a um nó viário que a liga aos maiores centros urbanos da região – Porto, Aveiro e Coimbra –, Santa Maria da Feira tem vindo a desenvolver-se, sobretudo graças à indústria corticeira e do calçado. Apesar do crescimento, porém, no centro da cidade ainda se vive o mesmo ambiente calmo, e o Diário de Aveiro foi desfrutar dessa tranquilidade
A existência de Santa Maria da Feira vem documentada desde as épocas mais remotas. Já em 1117, ainda antes da formação do Reino de Portugal (1143), um documento menciona a «Terra de Santa Maria» e um local chamado «Feira», devido às feiras e mercados que ali se realizavam.
No sopé do monte onde se ergue o imponente Castelo da Feira, os camponeses podiam encontrar tudo aquilo de que precisavam no seu dia-a-dia: produtos das colheitas, alfaias agrícolas, ferramentas de trabalho, animais e panos. O mesmo lugar, antigo Rossio, recebe actualmente a feira semanal, onde continua a vender-se um pouco de tudo. O destaque vai para os doces da região, o mel e a fruta.
Lado a lado com o Rossio, ergue-se o Museu do Convento dos Lóios e a Igreja Matriz, com a sua fachada em azulejo azul e branco do século XVII. Para chegar lá acima há que subir a imponente escadaria cruzada, tendo então uma vista privilegiada sobre o centro da cidade: a Rua Direita, que sobe em direcção à Igreja da Misericórdia, passando pelo edifício da autarquia e pelo chafariz da Praça Velha.
Ao cimo do Rossio eleva-se o Castelo da Feira, que desde o século X defende a população da Feira, representando magnificamente a arquitectura militar medieval. Na região é ainda possível conhecer o Museu do Papel, em Paços de Brandão, e Visionarium e o Parque Ornitológico da Lourosa, uma montra das mais belas aves do mundo.
Do calendário da cidade destaca-se a Festa das Fogaceiras, que se realiza a 20 de Janeiro, no feriado municipal. Esta festa remonta ao século XVI, e resulta de uma promessa feita pelo povo e pelos nobres das Terras de Santa Maria. Cansados de sucessivos surtos de peste, os habitantes da Feira terão prometido homenagear o mártir S. Sebastião com uma festa em sua homenagem, oferecendo-lhe três broas doces de trigo – as fogaças.
A Festa das Fogaceiras, com o seu cortejo e procissão, atrai todos os anos milhares de visitantes a Santa Maria da Feira.
Castelo da Feira
Considerado o ex-libris de Santa Maria da Feira, o Castelo é um importante exemplar da arquitectura da época medieval, para além de ser um marco importante na história da região. O seu papel de relevo nas Terras de Santa Maria ficou a dever-se à sua importância estratégica e militar e ao vasto território que defendia e dominava.
A sua construção remonta ao século X, e romanos, árabes e visigodos deixaram marcas da sua passagem pelo nosso país nas suas pedras.
Para além do seu carácter militar, o Castelo foi também paço residencial, tendo servido de habitação ao Condes Pereira, nobres de grande relevância na região. Da sua planta fazem parte uma grande praça, uma majestosa Torre de Menagem, ou Alcáçova, coberta por um eirado que tem nos seus ângulos torres de forma cónica, e o antigo salão, com chaminés de aquecimento, um balcão e uma tribuna onde os músicos actuavam nas festas e cerimónias.
O Castelo da Feira assumiu grande importância no período da Reconquista Cristã, já que nele tinham grande influência Ermígio Moniz e seu irmão, Egas Moniz, aio de D. Afonso Henriques.
Em 1722 o palácio e a torre de menagem foram incendiados, entrando todo o conjunto do Castelo em evidente decadência. Somente cerca de duzentos anos depois, em 1905, surge a primeira associação interessada em recuperar o Castelo. Em 1909 é formada a «Comissão de Vigilância pela Guarda e Conservação do Castelo da Feira», a quem é atribuída mais tarde a tutela sobre o monumento.
Museu do Papel
Saindo da cidade, pela EN109-4, em cerca de dez minutos é possível chegar a Paços de Brandão, uma pequena localidade nos arredores de Santa Maria da Feira. Pelo caminho, várias placas vão indicando a direcção do Museu do Papel aos visitantes.
Instalado num antigo engenho papeleiro, denominado Engenho da Lourença, numa referência à sua primeira proprietária, o Museu mostra o processo de fabrico manual de papel, como foi feito no local até 1916, e o processo industrial contínuo, praticado a partir dessa data.
Os visitantes podem seguir o processo de fabrico de uma folha de papel manualmente, desde a chegada do tecido de algodão, depois cortado e esfarrapado, e finalmente colocado em tinas com águas para se desfazer. Em seguida, o próprio visitante pode fazer uma folha, pegando na forma – semelhante a uma peneira – e mergulhando-a na água. Seguindo o processo antigo, estas folhas seriam depois «botadas» a secar pelas «botadeiras», demorando aproximadamente um mês a obter uma folha de papel.
Em seguida, poderão também seguir o processo de produção industrial a partir de outro papel, o que origina papel reciclado. Na Casa das Máquinas ainda se encontram os mesmos mecanismo que fizeram o engenho funcionar durante quase um século. O papel e cartão, depois de escolhido, são amassados com água por duas grandes mós de pedra, sendo depois batido mais uma vez, para refinar a pasta.
Por fim, a pasta é encaminhada para a máquina onde se formarão grandes folhas de papel, enroladas à volta dos «sarilhos» - grandes novelos. Este papel – molhado – ainda tinha de ser cortado e colocado a secar no andar de cima, onde as persianas típicas dos engenhos de papel deixam que a corrente de ar seque as folhas. Este papel era finalmente vendido para diversas finalidades, como os cartuchos de mercearia.
Tudo isto acontece à vista dos visitantes, que vão partilhando as memórias de uma região com grande realce na indústria papeleira.
Europarque, Visionarium e Zoo da Lourosa
À entrada da cidade, o Europarque dá as boas vindas aos visitantes, simbolizando o progresso e o crescimento da região. Com a possibilidade de acolher até 10 mil pessoas, o Europarque já foi considerado o melhor centro de congressos da Europa.
Junto ao Europarque ergue-se o Visionarium, um centro de ciência para grandes e pequenos. A parte central do Visionarium apresenta cinco salas de exposição: Odisseia da Terra, Odisseia da Matéria, Odisseia do Universo, Odisseia da Vida e Odisseia da Informação. No local existe ainda uma sala de exposições temporárias, uma sala de demonstrações, o jardim da energia, um campo de jogos científicos, jogos aquáticos e o jardim planetário, para além de exposições e actividades temporárias.
São objectivos do Visionarium dar a conhecer a contribuição humanista da ciência, contar parte da aventura humana, demonstrar noções e conceitos científicos, ligar a ciência ao quotidiano dos visitantes e prestar homenagem à memória de todos os descobridores, nomeadamente dos portugueses. Entre estes, é dado grande destaque ao cientista Egas Moniz.
Na freguesia da Lourosa, também a cerca de dez minutos, localiza-se o Parque Ornitológico da Lourosa, também chamado de Zoo da Lourosa, onde é possível conhecer uma das maiores mostras de aves da Europa.
Aqui vivem, devidamente integradas no seu habitat natural, aves provenientes de todo o mundo. Ao todo são cerca de 600 aves, distribuídas por mais de 150 espécies, algumas delas raras ou em vias de extinção.
Como ir?
Saindo de Aveiro, em menos de uma hora é possível chegar a Santa Maria da Feira, seguindo pela A1.
Onde ficar?
No centro da cidade a oferta é variada. A Residencial do Lóios recebe em quarto duplo por cerca de 50 euros; o Hotel Íbis, localizado junto ao Visionarium, tem preços entre os 39 e os 44 euros; o Hotel Nova Cruz a partir de 54 euros. A Quinta das Ribas também é uma opção, se preferir o turismo de habitação.
Onde comer?
Mais do que a gastronomia, a doçaria da região merece destaque. As fogaças são o principal elemento etnográfico da região, e o seu paladar não desilude. Feitas de farinha de trigo, açúcar, ovos, limão e canela, a sua massa é fofa e agradável.
Também os caladinhos representam bem a doçaria local. São semelhantes a umas bolachas altas, estaladiças, com o interior de textura mole e sabor incomparável.
Soraia Amaro |
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