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11-03-2005

Crescem famílias com dificuldades em Aveiro


Cáritas Diocena ajuda e dá abrigo

E, de repente, vieram as dificuldades económicas. Sem conseguir dinheiro para pagar as despesas do dia-a-dia, têm de pedir ajuda. Para comer, vestir, para ter luz e água. Estas famílias são cada vez mais em Aveiro. Os que estão mais sozinhos na vida têm de pedir também um local para dormir O número de famílias em dificuldades está a crescer em Aveiro, a avaliar pelos que recorrem aos serviços da Cáritas Diocesana de Aveiro. O relatório com os dados de 2004 ainda se encontra por fazer mas, em 2003, foram 328 as famílias que pediram ajuda. Se em 2004 a Cáritas sentiu um aumento significativo de pedidos em relação ao ano anterior, é de esperar que os dados oficiais mantenham a tendência de crescimento verificado. O número de atendimentos no apoio às famílias também tem um correspondente aumento. Em 2002, a Cáritas registou 1449 atendimentos, 1547 em 2003 e cerca de 3000 em 2004. O aumento de desemprego e a mudança do Rendimento Mínimo Garantido para a Rendimento Social de Inserção e o aumento do custo de vida, são alguns dos motivos por este número crescente de pessoas em condições difíceis. «Cada vez há mais pessoas necessitadas, o que é notório pelo apoio social que pedem», disse ao Diário de Aveiro o presidente José Ferreira Alves, que não consegue contabilizar todos os que necessitam de auxílio. Mas nem todos os que sentem dificuldades se dirigem à Cáritas ou a outra instituição de assistência. Há mais casos, como os que «por vergonha» não se dirigem aos serviços que os poderiam apoiar, e que designa por «pobres envergonhados». Aos outros, que pedem ajuda, é-lhes oferecido alimentos, roupas, medicamentos, pagamento de despesas como luz, água, renda de casa e ajuda no realojamento através, designadamente, na oferta de mobiliário e electrodomésticos. As famílias que recorrem à ajuda da Cáritas encontram-se em idade activa. São do centro da cidade, de vários bairros como o do Caião, Santiago, Esgueira, Alagoas, Azurva, além de comunidades ciganas também em dificuldades. Quem se dirige à Cáritas tem problemas económicos, que não consegue suportar as despesas de casa, caracterizado pelo desemprego ou um emprego com um ordenado que não suporta os custos da vida em família. Outros, têm doenças crónicas, que implicam a necessidade de suportar elevados encargos com medicamentos, ou problemas de alcoolismo. A isto juntam-se menores em risco, famílias desfuncionais, monoparentais ou problemas psiquiátricos. Centro de alojamento lotado O Centro de Alojamento Temporário é uma outra valência da Cáritas Diocesana, que está em funcionamento há quatro anos. Uma camarata com 10 camas está lotada, por isso, a organização de solidariedade tem de colocar os restantes utentes, que actualmente são sete, em quartos de pensões na cidade. «Surgiu numa altura em que havia muitos imigrantes do Leste da Europa que apareciam a dormir nos vãos de escada de prédios», afirma o presidente da Cáritas. Perante este drama, a organização adaptou as instalações para uma camarata, acolhendo aqueles sem abrigo. Na camarata estão 10 homens, mas em pensões estão outros cinco e mais duas mulheres, todos portugueses. Nesta altura, a utilização está mais estabilizada, «passou a onda de andarem por aí à deriva», diz o presidente, lembrando-se dos imigrantes do Leste que terão ultrapassado a pior fase das condições de vida em Portugal. Mas os sem abrigo continuam nas ruas de Aveiro, vêem-se a dormir em alguns locais da cidade, em entradas de prédios ou debaixo de escadarias. Entre estes estão «os que não querem ajuda, os que não aceitam o apoio quando são abordados» e, neste caso, parece não haver nada a fazer. Naturalmente, no Inverno, quando o frio aperta, como aconteceu nos últimos dias, cresce a procura pelo tecto que a organização oferece. O regulamento refere que a estadia não deve ultrapassar os seis meses de utilização mas, em vários casos, este tempo não é cumprido, estendendo-se por anos. O presidente deseja que a estadia «seja a mais curto possível», mas por vezes prolonga-se porque, por diferentes motivos, melhores dias, às vezes, tardam em chegar. Os que não têm outro local para passar a noite a não ser na Cáritas são pessoas com as quais nos cruzamos na rua. Que podem beber um café no mesmo balcão de uma pastelaria, por exemplo, e nem nos apercebemos do drama que está ao nosso lado. Entretanto, levam uma vida aparentemente normal, sendo que a maior diferença é não terem a chave de uma casa sua para viverem. Têm horários para cumprir, de saída do Centro, até às 9.30 horas e, à noite, terão de entrar até às 21.30 horas. Durante a noite, o seu comportamento é controlado por um vigilante. Muitas coisas são diferentes. Já os vimos pela cidade, até em actividades profissionais. Agora, nada é como dantes, devido a circunstâncias variáveis. O abrigo para uma vida que não correu bem foi encontrado ali, um local que poderá ser uma forma de tentar refazer alguma coisa e tentar partir para condições melhores das que tinha antes de entrar naquele Centro. Entretanto, pretende-se que haja, se possível, reintegração familiar e encaminhamento para um trabalho, enquanto se processa um acompanhamento médico, psicológico e assistencial, garantido por uma psicóloga e duas técnicas sociais. Nestas acções, a Cáritas conta ainda com parcerias que colaboram financeiramente ou com a disponibilização de meios e serviços, designadamente da Segurança Social e Florinhas do Vouga. No Centro estão pessoas sem condições de sobrevivência, com idades compreendidas entre os 30 e os 60 anos, que perderam laços de afectividade, que ganharam vícios, que se afastaram ou foram rejeitados pela família, «sozinhos na vida» e, comum a todos, em condições económicas difíceis. Chegam à Cáritas por iniciativa própria, informados por outros sem-abrigo, encaminhados pelas autoridades e instituições de solidariedade. Ter acesso àquele centro tem regras e direitos. Depois de dormirem, devem sair até às 9.30 horas, depois de tomarem o pequeno-almoço e tratarem da sua higiene pessoal. Podem lavar a roupa no Centro, almoçar na Cozinha Social das Florinhas do Vouga, com uma senha de refeição que lhes é oferecida, e, à noite, podem jantar no Centro de Acolhimento, sair à rua mas devem entrar até às 21.30 horas. O que fazem no resto do tempo é uma preocupação da Cáritas. Alguns procuram um trabalho que lhes permita encontrar as condições financeiras para deixarem de necessitar da dormida no centro. A Cáritas também vai indicando possibilidade de emprego, enquanto os mais idosos, actualmente dois em idade avançada, aguardam entrada num lar de terceira idade, o que esperam há dois anos. «Gostávamos de dar formação, temos essa carência», segundo o presidente, que não consegue ocupar aqueles utentes em mais actividades do que ajudar em pequenas tarefas do centro, alguns colaboram em pequenos trabalhos de voluntariado e no Centro têm uma TV, jogos e leitura. Uma novidade será uma acção de formação em informática. «Muito possivelmente vamos ter essa formação, inserido num projecto de Intervenção Social na Sociedade de Informação», revela o responsável da Cáritas. Outra resposta que a Cáritas gostaria de dar diz respeito a um apoio melhor às mulheres. Mas nem todos podem ter acesso a uma cama no centro, sendo que é condição essencial o não consumo de álcool e drogas. Por isso, nestes casos de dependência é proposto o tratamento. A falta de cumprimento das regras internas é um passo para ter que abandonar as instalações. João Peixinho

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