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09-03-2005

Despedimento afecta 57 por cento das operárias efectivas


Movimento Democrático de Mulheres desenvolve trabalho de investigação no distrito

Cinquenta e sete por cento das mulheres inquiridas no âmbito do projecto «Empreender Novos Caminhos Para a Igualdade», no distrito de Aveiro, revela que foram despedidas quando estavam efectivas no seu local de trabalho. Os dados foram avançados no Dia Internacional da Mulher Mais de metade (57 por cento) das mulheres que estão desempregadas no distrito de Aveiro (num universo superior a 500 inquiridas) ficaram sem trabalho quando se encontravam efectivas. Os dados foram avançados, ontem, por Maria João Teixeira, representante do Movimento Democrático de Mulheres, de Santa Maria da Feira, e fazem parte integrante do projecto «Empreender Novos Caminhos Para a Igualdade», que deverá ficar concluído dentro de três meses. O trabalho de investigação tem incidido sobretudo em casos relacionados com operárias e foi citado, ontem, durante um debate alusivo ao Dia Internacional da Mulher, promovido pela União dos Sindicatos de Aveiro (USA), no Museu da República. A socióloga revela que cerca de 40 por cento das desempregadas tiveram a mesma ocupação durante 25 anos, aproximadamente. São sobretudo mulheres com idades compreendidas entre os 40 e os 45 anos. «Sentem-se novas mas o mercado de trabalho aceita-as com dificuldade», conclui a responsável. Vinte cinco por cento partilha o desemprego com o seu marido, também ele sem ocupação. A injustiça salarial também é apontada por Maria João Teixeira, afirmando que «60 por cento das mulheres inquiridas não recebem o mesmo valor que os homens apesar de exercerem a mesma função». Quase todas se dizem afectadas psicologicamente. Leonilde Capela, membro da Comissão Executiva da USA, recorda os números mais recentes que reflectem a realidade no distrito, afirmando que em Dezembro passado o total era de 30.331 desempregados, dos quais 18.154 eram mulheres. A taxa de desemprego traduz-se em 59,8 por cento. No seu entender, «os níveis têm vindo a aumentar no distrito devido à não-renovação dos contratos de trabalho e às pressões exercidas nos trabalhadores». Graciete Cruz, membro da Comissão Executiva da USA, conclui que «Portugal regista ainda um grande atraso em termos de igualdade e garantias entre homens e mulheres». Cristina Paredes

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