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NOTÍCIAS |  | | 08-03-2005
| Chegou a hora da Casa Major Pessoa
| | Câmara abre concurso público de reabilitação |
| | O edifício está em avançado estado de degradação e «em risco de ruir», por isso vai ser coberto e as fachadas escoradas. As medidas de protecção foram anunciadas ontem à tarde, no dia em que a Câmara lançou o concurso público para a sua reabilitação. Por 896.732,01 euros, recebendo um apoio de fundos comunitários que atinge os 70 por cento
A Câmara de Aveiro aprovou ontem à tarde a abertura do concurso público, com um valor base de 896.732,01 euros, para realizar obras de reabilitação da Casa Major Pessoa, de arquitectura Arte Nova, um imóvel situado junto ao Canal Central, na parte baixa da cidade, que um estudo concluiu se encontrar «muito deteriorado» e «em risco de ruir» mas que é considerada uma «peça única no país» a preservar.
O prédio encontra-se em mau estado de conservação mas a Câmara, que adquiriu o imóvel por cerca de 500 mil euros, pretende investir no edifício, transformando-o num centro de divulgação da Arte Nova da região. «Não me pesa um euro na consciência», disse o presidente da Câmara Alberto Souto, confrontado com a intervenção do vereador da oposição, Capão Filipe, do CDS-PP, que além de considerar «inflaccionado» o valor da aquisição, comparou a operação da Major Pessoa com a do Mercado Manuel Firmino, demolido na sua totalidade e em fase de reconstrução.
A reabilitação do imóvel de Arte Nova terá uma comparticipação financeira na ordem dos 70 por cento, através do III Quadro Comunitário de Apoio.
Dado o estado em que se encontra o imóvel, a primeira preocupação é a «preservação da casa». Por isso, até se iniciarem as obras, que poderão começar dentro de três meses e meio e se deverão prolongar durante cerca de um ano, o edifício será coberto e será colocada uma estrutura para segurar a fachada.
Depois de adquirido pela Câmara que aprovou um projecto de intervenção, que recebeu, posteriormente, o aval positivo do IPPAR, o relatório da avaliação do estado do edifício foi entregue há dias pela Universidade de Aveiro, apontando para um edifício «muito degradado» a vários níveis. Na pedra, paredes e madeiras o estrago de anos de exposição ao vento, sol, chuva e ambiente salgado atingiu fortemente o imóvel. Por isso houve a preocupação de «acelerar o processo ao máximo», segundo o arquitecto Mário Sarabando. É fundamental escorar as fachadas mas, até porque, se chover, o edifício «corre riscos de ruir», segundo os técnicos da Câmara.
Na intervenção sobre o imóvel, as fachadas serão mantidas mas no interior haverá necessidade de demolir partes do edifício e construir uma nova estrutura do miolo. Existem painéis de azulejo, no interior, que se encontram fixados em «paredes cheias de terra com sal». Por isso, os azulejos terão de ser retirados «um por um e com todo o cuidado» - para depois serem repostos - dado que os resultado obtidos nas análises feitas revelaram que têm «elevados teores de cloretos».
O «rés-do-chão é riquíssimo», observa o arquitecto que espera manter o existente com excepção de dois espaços. O pátio também não sofrerá modificações assim como o primeiro andar. O segundo andar será transformado uma sala polivalente.
Major Pessoa depois das obras
A nova Casa Major Pessoa reabrirá ao público como um património municipal, provavelmente em Junho do próximo ano, segundo a versão mais optimista apresentada pelo presidente da Câmara, Alberto Souto, decorrendo três meses e meio entre o lançamento do concurso e o lançamento das obras. Os trabalhos deverão ter uma duração de um ano.
Alberto Souto espera abrir ao público uma «casa visitável, um centro de divulgação de Arte Nova». No rés-do-chão, os visitantes encontrarão um posto de atendimento e um ponto de partida para um roteiro de visita aos exemplares das expressões de arte nova na região. Na futura nova Casa Major Pessoa será possível, por exemplo, tomar um chá com loiça da época.
O movimento Arte Nova surgiu na Europa na última década do século XIX. Foi inovador pela utilização de vidro e ferro, dominando na construção os elementos decorativos.
João Peixinho |
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