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07-03-2005

Paulo Portas assume lugar de deputado por Aveiro


Líder demissionário do CDS/PP vai para o Parlamento

O presidente demissionário do CDS/PP, Paulo Portas, anunciou no sábado, perante o Conselho Nacional do partido, que vai assumir o seu mandato de deputado no Parlamento nos próximos meses, para o qual foi eleito nas últimas eleições legislativas pelo círculo eleitoral de Aveiro. Fontes do Conselho Nacional do CDS-PP, reunido em Lisboa para avaliar os resultados das legislativas e decidir a data do próximo congresso, disseram à Agência Lusa que Paulo Portas anunciou que assumirá o lugar de deputado e que não interferirá na escolha do seu sucessor. Segundo as mesmas fontes, Portas justificou a sua saída da liderança defendendo a necessidade de o CDS/PP, depois de três anos no Governo, poder alterar o seu discurso, entrando num novo ciclo político, o que implica novas caras à frente do partido. Num discurso de cerca de uma hora e meia, que abriu a reunião do Conselho Nacional dos democratas-cristãos, o líder demissionário garantiu que não se envolverá na corrida pela sua sucessão e teve um discurso optimista em relação ao futuro do partido, apesar da derrota eleitoral. Portas terá defendido que o Governo socialista, apresentado sexta-feira ao Presidente da República, Jorge Sampaio, é «fraco» e que o novo presidente do PSD, seja Marques Mendes ou Luís Filipe Menezes, aproximará os sociais-democratas da esquerda, deixando espaço político para o CDS/PP. Apesar de se considerar o primeiro responsável pelos resultados do partido nas legislativas de 20 de Fevereiro, o ainda ministro da Defesa terá, de acordo com dirigentes do Conselho Nacional, responsabilizado também Jorge Sampaio, acusando-o de «conscientemente» ter dissolvido o Parlamento no melhor momento para a oposição e no pior momento para o Governo. Aplaudido pelos dirigentes do órgão magno do partido entre congressos no final da sua intervenção, Portas terá também «corrigido» o líder social-democrata demissionário, Pedro Santana Lopes, afirmando que a relação de forças entre os dois parceiros de coligação não se manteve após as eleições, uma vez que o CDS/PP representa agora um quarto do PSD quando antes representava um quinto. Rui Cunha

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