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NOTÍCIAS |  | | 07-03-2005
| Vestígios romanos descobertos em Vagos
| | Arqueólogo João Reigota foi o autor dos achados |
| | Um grupo de amigos do Centro de Estudos Carlos Oliveira descobriu recentemente, durante um dos seus habituais passeios, inúmeros vestígios de um povo romano do século III/IV d.C.. A descoberta foi feita no lugar de Mesas, no concelho de Vagos, e indicia a existência de um povoado de cultura romana na zona
Foi durante uma romagem à conhecida pedra de Santa Catarina (objecto de culto religioso devido aos pequenos sulcos que muitos consideram ser pegadas de Nossa Senhora de Fátima), no lugar de Mesas, em Vagos, que um grupo de amigos do Centro de Estudos Carlos de Oliveira veio a fazer uma descoberta histórica.
Um dos elementos do grupo era o arqueológo João Reigota, cuja atenção foi despertada, ao chegar ao local, por um conjunto de fragmentos de telhas – que logo em seguida identificou como sendo romanas - e outros objectos como escórias de ferro (que indiciam a existência de um centro metalúrgico) e pedaços de cerâmicas de uso doméstico (negras finas). Este conjunto de materiais foi atribuído a um povoado do século III/IV d.C.
Segundo o arqueológo, estes objectos «indiciam claramente a existência de um povo latino ou latinizado nesta zona», contando que, ao aperceber-se da descoberta que tinha feito, procurou fazer a «reconstituição do espaço em termos antigos», verificando que o achado se encontra numa encosta virada a sul e à beira de um riacho. Estes dados poderão indicar que «um povo se fixou ali, por uma questão de sobrevivência», visto tratar-se de um «local desértico mas com boas condições, como a presença de água e de boa exposição solar», explicou. «É muito provável que se tratasse de um povoado latino de origem romana ou latinizado, que se tivesse fixado aqui para fugir das invasões bárbaras de Conímbriga», frisou o autor das descobertas, acrescentando que a Gândara «era um óptimo sítio de refúgio, onde não faltaria alimento, sobretudo caça e pesca».
Desde tempos muito remotos que na região da Gândara «núcleos populacionais deambularam ou se fixaram secularmente», daí que seja uma zona de grande riqueza arqueológica.
Para já, João Reigota desconhece se irá ser feita alguma investigação sobre os achados, mas afirma que o mais provável é que a descoberta permaneça como está.
Dora Santana |
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