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NOTÍCIAS |  | | 10-10-2004
| «Com Nikolay Gueorguiev não tinha hipóteses de jogar»
| | Ricardo Ferreira explica a mudança do S. Bernardo para a Ac. Águeda |
| | O guarda-redes, Ricardo Ferreira, juntamente com João Alves, Nuno Pericão, Carlos Oliveira e Albano Lopes, foi outro dos atletas que esta época decidiu trocar o São Bernardo pela Académica de Águeda. As razões da mudança são abordadas através de um discurso, possivelmente polémico, mas frontal e aberto. Considerado recentemente como o melhor guardião do Torneio de Espinho, Ricardo Ferreira diz-se motivado por ir jogar na Liga e por fazer parte de um projecto do qual só tem a dizer bem. Ao Diário de Aveiro, Ricardo Ferreira explicou porque é que saiu do São Bernardo para ingressar na Académica de Águeda. As suas expectativas num novo clube e os objectivos para esta época, são os dois grandes temas desta entrevista
Como é que está a correr a adaptação à Académica de Águeda?
Vim encontrar novos colegas, novos amigos, mas a adaptação está a ser cada vez melhor.
O facto da Académica de Águeda ter contratado outros jogadores que foram seus colegas no São Bernardo, tem facilitado nesta fase de integração?
E foi também por causa deles que aceitei este desafio de vir para Águeda. Não foi só pelo dinheiro que mudei de clube. Quando me disseram que vários atletas do São Bernardo também iam para a Académica, pensei logo que tínhamos hipóteses de fazer uma boa equipa.
Que diferenças existem entre os dois clubes?
O São Bernardo tem melhores condições, porque tem uma estrutura montada, enquanto que a Académica de Águeda está agora a começar a desenvolver o seu projecto.
Sente que a cidade de Águeda apoia o clube?
No jogo de apresentação com o Belenenses, estava mais gente do que na maioria dos jogos do São Bernardo. E já me disseram que tanto no «regional» como na Terceira Divisão, o pavilhão estava quase sempre cheio. Águeda é uma cidade que apoia o andebol.
Que Académica de Águeda é que vamos ter no campeonato da Liga?
Fomos a equipa da Liga que mais tarde começou a trabalhar, por isso até ao início de campeonato, temos que melhorar. A equipa tem cinco campeões da Divisão de Elite e um estrangeiros, dos que mais se tem destacado nos últimos anos no andebol português. Aqui só nos preocupamos em jogar e sabemos que o clube cumpre com as suas responsabilidades.
Até onde é que pode ir esta equipa?
O campeonato deixou de ter «play-off», mas o objectivo passa por ficar entre os oito primeiros e tentar uma surpresa.
O primeiro jogo, com o ABC, é extremamente difícil…
Sabemos que é um jogo muito difícil, mas estamos a trabalhar para fazer boa figura.
Em termos individuais, esta é uma época para relançar a sua carreira?
Eu quando assinei pelo Águeda, pensava que era para jogar na Segunda Divisão, porque o que eu queria mesmo era jogar. Aqui posso relançar a carreira, embora tenha a concorrência de dois bons guarda-redes, o que também acaba por ser bom para mim. A Académica de Águeda está bem servida de guarda-redes.
Depreende-se que está satisfeito em Águeda…
Aqui estou a levar o andebol mais a sério. Treinamos todos os dias, mas tenho mais disponibilidade. Treino, faço ginásio, estou mais profissional.
Muito se tem falado da saída de vários atletas do São Bernardo. Objectivamente, porque é que saiu de um clube onde esteve sete anos?
O São Bernardo deve-me quatro meses de salários, mas não foi só pela questão financeira que decidi sair. Deixei o São Bernardo porque o meu feitio nunca encaixou no feitio do Nikolay Gueorguiev. É algo que já vem de longe. Senti que, no São Bernardo, não tinha hipóteses de jogar, independentemente de quem viesse para o clube. No ano passado, para quem na época anterior tinha sido o titular da equipa campeã nacional, merecia mais tempo de jogo, independentemente da grande época que o Humberto Gomes fez. Houve jogos em que estávamos a ganhar por 10 e por 12 golos, e jogava os dois últimos minutos, só para dizer que não jogava. E, por vezes, nem chegava a entrar! Já há cinco anos trás, antes de ir jogar para Ílhavo, tinha promessas como ia jogar, mas nada foi cumprido.
Saiu então por causa do técnico Nikolay Gueorguiev? Mas não reconhece o seu bom trabalho no clube?
Como técnico, reconheço que mudou o clube nos últimos cinco anos e não tenho nada a apontar-lhe. O problema esteve na diferença de tratamento e na forma como se relacionava com os atletas. Não sou o único a pensar assim. Dou-lhe um exemplo que pode ser testemunhado por vários colegas: era normal jogarmos futebol nos treinos e, tanto eu, como o Albano, pela forma como costumávamos jogar, éramos muitas vezes chamados a atenção pelo treinador. Já no ano passado, o Humberto Gomes era muito pior que nós, mas o discurso passou a ser outro. Nós é que tínhamos que nos desviar e evitar as jogadas mais duras, porque aquela era a maneira de jogar do Humberto!
Sentia-se injustiçado?
Claro, e dou-lhe mais um exemplo: no jogo contra os islandeses, entrei bem na partida, defendi um livre de sete metros, fiz um golo e, por isso, até o próprio Humberto Gomes se mostrou surpreso por eu não ter reentrado no jogo depois do intervalo. A seguir ao jogo, fui falar com o presidente e liguei ao «capitão» da equipa, dizendo-lhes que não ia jogar mais, porque o treinador não tinha confiança nenhuma em mim. Mais tarde, enviaram-me para casa, uma nota de culpa que invocava pontos do regulamento interno que nunca tinha sido entregue e pediram-me ainda, 160 contos de multa, mais dois anos de contrato. Passados dois meses, o dirigente que tratou do assunto (e que já não está no clube), disse-me que também não estava de acordo com muitas opções que eram tomadas na equipa, mas que eu podia ficar descansado que o Nikolay não iria continuar na próxima época. Mas foi o mesmo de sempre: deu-se o dito por não dito e o Nikolay continuou no clube.
Saiu magoado do São Bernardo?
Saio magoado e também triste porque deixei muitos amigos no clube. Mas saio magoado, pelas promessas que todos os anos não eram cumpridas. Todos os anos, tínhamos ordenados em atraso.
Tem falado com os directores sobre os ordenados que diz ter em atraso?
Já soube que pagaram, pelo menos dois meses, aos atletas que lá ficaram, mas a mim ainda não me pagaram nada e nada me dizem. Disseram que me iam ligar, mas não o fizeram. Disse-lhes que ia seguir com o assunto para o tribunal, mas nem assim obtive qualquer resposta. Já tenho o processo entregue no meu advogado.
Pedro Neves |
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