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NOTÍCIAS |  | | 10-10-2004
| Sobe o pano do XI Festovar
| | Em Ovar até 27 de Novembro |
| | A completar 21 anos de existência, a Contacto - Companhia de Teatro Água Corrente de Ovar, organiza o Festovar’04 (XI Festival de Teatro de Ovar). Treze companhias apresentam 15 peças de teatro até ao próximo dia 27 de Novembro
A Contacto – Companhia de Teatro Água Corrente de Ovar já apresentou o programa do XI Festovar, este ano subordinado ao tema «Teatro, uma cultura sem fronteiras». Desde a passada sexta-feira até 27 de Novembro vão passar pela casa da companhia ovarense 16 peças teatrais de diversas proveniências do país e do estrangeiro. Aqui cabe uma referência à primeira e tímida internacionalização do Festovar. De França vêm os franceses da Marieettonio com a peça de marionetas «L’Oeulf». Talvez caiba aqui dizer que Manuel Ramos Costa é igualmente o director artístico do Festival Internacional de Marionetas de Ovar (FIMO) e os contactos aqui obtidos revelam-se de boa utilidade. É o caso igualmente do Teatrinho, sedeado em Viana do Castelo mas formado por artistas do Leste da Europa. Mas aqui cabe, naturalmente, um destaque para a peça que a companhia anfitriã vai apresentar, «A casa de Bernarda Alba», de Federico Garcia Lorca, numa encenação de Manuel Ramos Costa. A peça estreia no último dia do XI Festovar, a 27 de Novembro, às 21.45 horas.
Manuel Ramos Costa, director artístico do certame, revelou que o orçamento deste ano deverá ascender a 35 mil euros, verba que a Contacto não tem e só conseguirá juntar com muito sacrifício. Para o efeito já colocou à venda um sorteio de rifas, porque os dois euros do bilhete para cada sessão (só as sessões infantis de domingo são gratuitas) não chegam para pagar quase para nada. Porque a Contacto tem uma série de encargos fixos que se agravam com a realização no festival, com o aumento de despesas de água, luz, limpezas e outras, a mais importante das quais diz respeito aos encargos que assumiu quando adquiriu a sua casa nova.
Os apoios são poucos e como nem sempre chegam a tempo da companhia honrar os compromissos assumidos, há que usar a imaginação. «Bem gostaríamos que fosse tudo de borla, mas nós queremos continuar a ser bons pagadores», frisa António Alberto, presidente da direcção da Contacto, daí acrescentar que «gostaria de ver os 100 lugares do auditório da casa da Contacto sempre preenchidos».
Resistência
É por isso que o encenador Manuel Ramos Costa diz que «este é um teatro de resistência, do tudo contra todos, é aquele que sabe encontrar as suas fraquezas e transformá-las em força e firmeza». Sobra o sonho. Esse permanece sempre, cada vez mais vivo e mais límpido que nunca no espírito do grupo de homens e mulheres que lidera os destinos da Contacto que já conta com a bonita soma de 21 anos de idade. Manuel Ramos Costa sintetiza a ideia que preside à companhia: «O teatro e o sonho levam-nos a todas as culturas».
Durante os quase dois meses de duração do XI Festovar, desfilarão pelo palco da Contacto cerca de duas centenas e meia de pessoas. Tanta gente e tantos meios para coordenar por uma pequena companhia de província parece quase impossível e não há grupo teatral que visite a Contacto e não abra a boca de espanto com a sua capacidade organizativa. O Festoval constitui já uma referência na caional em termos organizativos. Qual é o segredo? Responde António Alberto: «O segredo está no amor que esta gente dedica à nossa colectividade e à causa do teatro amador, porque o dinheiro não é tudo».
Para todos os gostos
O XI Festovar conheceu o seu início, pelas 21.45 horas, com os Os Plebeus Aventenses, de Avintes, Vila Nova de Gaia, com a peça «Cocktail», de Manuel Ramos Costa. Ontem, às 16 horas, foi a vez do teatro de marionetas, do Pandora Teatro, também de Vila Nova de Gaia, com a peça «O Bosque Encantado», de Manuel Almeida.
No próximo fim-de-semana, a 16 de Outubro, às 21.45 horas, sobe o pano para o Teatro Pedaços de Nós, de Freamunde. A peça chama-se «Um Fantasma Chamado Isabel», da autoria de Miklos Marai e encenação de Vitorino Ribeiro, e no dia seguinte pode assistir-se a «Final Feliz», da Oficina de Teatro da Contacto. A peça tem a assinatura de Manuel Ramos Costa
No dia 23, pelas 21.45 horas, é a ainda a companhia anfitriã que propõe «Menina Júlia», de Augusto Strindberg e com encenação de Manuel Ramos Costa e no dia seguinte, às 16 horas, surge em palco o grupo Sementinha da Lourocoop, de Lourosa, com a peça «Hoje Há Palhaços», de Maria Alberta Menéres e António Torrado e encenação de Patrícia Silva, Raquel Martins, Rita Baptista.
No fim-de-semana seguinte, abre a 30, pelas 21.45h, o Cénico de S. Joaninho, de Santa Comba Dão, apresenta a peça «O Inspector Geral», de Nicolai Gogol e encenação de Manuel Ramos Costa. No dia 31, às 16 horas, pode ver-se «O Principezinho», pelo Teatro Sol D’Alma, de S. Vicente de Pereira, com encenação de Leandro Ribeiro.
O Teatro Oficina Fonseca Moreira, de Felgueiras, vem ao XI Festovar mostrar «P’ra Cá do Marão», às 21.45h, do dia 6 de Novembro. O trabalho é da autoria de Arnaldo Leite e Campos Monteiro, e conta com a encenação de Fernando Maia.
No dia seguinte o Teatrinho / Marioneta, Actores e Objectos, de Viana do Castelo, na cena «Dança Comigo», de Alexandre Vorontsov e Sabahat Passos, com encenação do primeiro.
A Capoeira com a peça «O Tartufo» é a proposta para o dia de 13 de Novembro, às 21.45 horas. Vêm de Barcelos encenam uma peça de Molière. No dia 14, às 16h, a Oficina da Contacto leva à cena «A Tulipa Negra», de Manuel Ramos Costa.
De Valongo, chega no dia O Teatro da Retorta, de Valongo. A peça chama-se «Carol, Aquela a Quem Chamavam Cinderela», de Laura Ferreira, logo seguido de Marieettonio, no domingo, à tarde. Esta companhia francesa apresenta «L’Oeulf» ou «O Universo do Ovo», de Anthony Mainguet e encenação de Marie Magalhães.
O encerramento do XI Festovar acontece com a estreia da peça «Bernarda Alba», da Contacto, no dia 27, pelas 21.45 horas. Manuel Ramos Costa encena uma drama de autoria de Federico Garcia Lorca.
L.V. |
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