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08-08-2004

Índia – Potencial e Dimensão


Pedro Jordão

É difícil subestimar um país com uma população superior a um bilião de habitantes, que é a maior democracia do mundo, que possui mais de 3 milhões de quilómetros de estradas de primeira categoria e 335 aeroportos, que detém tecnologia espacial, que é uma potência nuclear e que se projecta como uma enorme força na criação de alta tecnologia e na produção de software, por exemplo. Contudo, milhões de indianos vivem abaixo do limiar de pobreza, apesar da excepcional capacidade tecnológica e científica deste país. Esta assimetria de desenvolvimento, muito vulgar em países em desenvolvimento de grande dimensão, em períodos de forte impulso económico e infraestrutural, é um problema com que a Índia se confronta. No entanto a Índia tenderá a assumir-se como uma grande potência não só na Ásia como também no mundo, até porque a sua dimensão e a sua massa crítica lho permitem. A percepção do potencial da Índia é indissociável da compreensão do estado de espírito estratégico que ela configura. A Índia não possui amigos estáveis entre as grandes potências, enquanto em 1962 travou uma guerra territorial com a China e até hoje disputou cinco guerras com o Paquistão, países que são potências nucleares. Predominantemente hindu, a Índia possui também uma das maiores populações muçulmanas do mundo, apesar das inimizades que ancestralmente dividem essas comunidades. A Leste e a Oeste a Índia tem vizinhos muçulmanos. As fissuras entre hindus e muçulmanos, frequentemente muito violentas, constituem um problema de segurança externa transfronteiriça e também um problema interno. reivindicação territorial da Índia e do Paquistão relativamente à região de Caxemira, indutora de várias guerras entre esses dois países, continua a revelar-se como um factor de perigosa conflitualidade, apesar de algumas distensões registadas desde o final de 2003. Em síntese, a Índia vive, desde a sua independência, uma tensão permanente no que se refere à sua segurança. A corrida armamentista convencional com o Paquistão foi vencida pela Índia, o que era inevitável devido ao facto de a grande diferença de dimensão demográfica entre os dois países tornar impraticável para o Paquistão o acompanhamento dos níveis de dispositivos convencionais a que a Índia pode aceder. Apesar da grande dimensão do Paquistão a da Índia é muito superior. Na realidade os efectivos das forças armadas da Índia, superiores a 1,3 milhões de homens, têm uma dimensão dupla dos paquistaneses, enquanto o orçamento militar indiano é quádruplo do do Paquistão. Esse é o motivo endémico que induziu a corrida nuclear entre ambos, pois nesse plano a paridade era atingível pelo Paquistão, que a mantém, possuindo cada um destes países um pouco mais de 40 bombas nucleares. A Índia começa a abrir-se e a reformar- -se intensamente nos planos político e económico mas persiste uma sensação de relativo isolamento e de receio, que conduz os indianos a sentir que necessitam de ser uma potência que valha por si mesma e que seja competitiva e auto-sustentada. Por outras palavras, a Índia sedimenta gradualmente um quadro mental e material de grande potência. Discretamente já o é. Sê-lo-á nas próximas décadas cada vez menos discretamente. A sofisticação tecnológica da Índia é impressionante. Os seus programas espaciais formaram uma preciosa génese para a proeminência actual nos domínios da tecnologia militar e civil. A Índia possui mísseis de longo alcance e pode produzir mísseis balísticos intercontinentais, enquanto a sua marinha possui mísseis cruzeiro. Com um profundo know how em áreas como a electrónica, a Índia lidera crescentemente domínios de alta tecnologia e é já um gigante mundial na produção de software, o que induz um enorme fluxo de deslocalização de postos de trabalho e negócios dos países ocidentais para a Índia. Esse fluxo inclui uma fortíssima captação de outsourcing, quer em gamas altas como o software quer em gamas baixas como os call-centers. Na Índia, neste momento, o outsourcing de processos cresce a cerca de 60 % por ano e o de software a cerca de 30 %, retirando imensos negócios e empregos aos países europeus e aos Estados Unidos. Regionalmente a Índia mantém uma “desconfiança de estimação” perante a China, cuja economia pretende alcançar obcecadamente, em minha opinião sem qualquer hipótese de sucesso pois, entre outros factores, a China tem crescido economicamente ao dobro do seu ritmo e capta 5 vezes mais investimento estrangeiro que a Índia. Em qualquer caso a Índia é um país em ascensão, uma grande potência regional que será uma grande potência mundial. No que se refere ao potencial consubstanciado pela Índia, a nível económico, político e estratégico, não é deslocado um comentário final sobre a falta de uma política externa portuguesa coerente e que veja o mundo em lugar de vislumbrar apenas a Europa. Num país como a Índia, onde as marcas culturais portuguesas são profundas, onde se encontram apelidos portugueses em numerosos governantes indianos, onde existe uma empatia capitalizável, Portugal salienta-se pela quase ausência, pela falta de imaginação estratégica e pela ausência de iniciativa. Afinal este é apenas um exemplo, entre muitos, da incapacidade de utilizar inteligentemente potenciais externos, por falta de uma política externa que, na última década, revela uma significativa falta de criatividade e de iniciativa estratégica, como se o objectivo fosse extinguir a política externa nacional em lugar de a desenvolver em benefício dos cidadãos e das empresas portuguesas. Pedro Jordão

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