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06-06-2004

Luís Horta alertou para os perigos do «doping»


Jornadas Médico-Desportivas do Beira-Mar muito participadas

Os perigos que rodeiam a vida de atletas que se socorrem de métodos artificiais para obterem melhores performances competitivas foram colocados em evidência pelo director do Laboratório de Análises e Dopagem, Luís Horta, na intervenção que encerrou as Jornadas Médico-Desportivas do Beira-Mar. O também membro do Conselho Nacional Antidopagem trouxe a Aveiro o mais recente manual de procedimentos, que vai servir de guia informativo dos médicos As segundas jornadas Médico – Desportivas do Beira-Mar terminaram no final da manhã de ontem, na reitoria da Universidade de Aveiro, onde, ao longo de dois dias, cerca de três centenas de participantes ligados à temática da medicina desportiva e dos problemas relacionados com os perigos originados pelo «doping», foram debatidos com os vários oradores convidados para o evento. Uma das intervenções aguardadas com maior expectativa, era a de Luís Horta, director do Laboratório de Análises e Dopagem e membro do Conselho Nacional Antidopagem. Uma das suas afirmações mais marcantes, foi a de que a utilização de asteróides anabolizantes «aumenta a agressividade dos atletas e da população em geral, pelo que a comunidade cientifica está hoje muito mais atenta à dopagem dos atletas». No entanto – lembrou Luís Horta - «importa reter que a partir da descoberta de um qualquer caso positivo de doping, cabe às federações aplicar as correspondentes sanções aos atletas apanhados nas malhas das análises positivas e isso é bom para a separação dos poderes das partes envolvidas». Nestas segundas jornadas organizadas pela direcção do Beira-Mar, que tiveram como destinatários médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, massagistas, professores de educação física, treinadores, atletas, dirigentes, estudantes de saúde e de desporto e vários outros agentes desportivos, estiveram em foco temas como a traumatologia, síndrome da hipersolicitação da tíbio-társica no desporto, escalas de avaliação após lesão, micoses, treino físico e psicológico, pubalgia, fractura de stress, luta contra a dopagem no desporto e paragem cardíaca em campo. Um guia para a «memória» A recente criação da Agência Mundial de Antidopagem, que passa a utilizar os serviços das Agências Nacionais, que no caso português é o Conselho Nacional Antidopagem (CNAD), articulado com o Instituto do Desporto de Portugal (IDP) e com as diferentes federações nacionais, segundo Luís Horta, tem em vista três objectivos centrais: 1 – prevenção da saúde dos praticantes desportivos; 2 – preservação da verdade desportiva; 3 – preservação do espírito desportivo; Segundo um texto que foi distribuído pela primeira vez nestas jornadas do Beira-Mar as indicações nele contidas, devem ser vistas à luz de «determinações do Conselho Nacional Antidopagem, relativamente às substâncias que necessitam de notificação escrita e às normas de solicitação de autorização para a utilização terapêutica de substâncias e métodos proibidos». Uma espécie de guia identificativo para os médicos dos clubes, que cada vez mais estão obrigados a conhecer as linhas mestras da legislação anti-doping, que tem vindo a ser actualizada e que na opinião de Luís Horta «acaba de dar um salto de grande impacto», com vista à defesa dos atletas das mais variadas modalidades. Algo que bem pode ser classificado como um guia para «memória» presente e futura do desporto português, nas suas diferentes variáveis. Jacinto Martins

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