A VEREADORA SOCIAL-DEMOCRATA LAURA PIRES FOI A MAIS CRÍTICA

O PSD rejeitou a proposta do CDS/PP apresentada na última reunião de Câmara, que ia no sentido do Executivo aprovar um voto de congratulação, manifestando "a sua solidariedade perante a postura que a bancada do CDS/PP teve aquando da votação" do empréstimo de 1.200.000 de euros na última Assembleia Municipal.

Depois do centrista Manuel Silvestre ter começado por alertar "os colaboradores, para que tenham mais cuidado e dêem informações mais precisas, porque ficámos todos muito desconfortáveis com aquela situação", Leontina Novo propôs então um voto de congratulação "pela postura de grande elevação cívica e de solidariedade e pela atitude de estrita defesa dos munícipes e do concelho" da bancada do CDS/PP.

Laura Pires, vereadora do PSD, foi a mais crítica, chegando a chamar-lhe "uma peça de teatro". "Nunca pedimos aqui votos de louvor por fazermos aquilo que é devido", afirmou a social-democrata. Apesar de "reconhecer que houve colaboração do Dr. Mendonça, se vamos transformar o exercício de um dever num louvor, então está tudo invertido". E foi mais longe: "não devemos, como esse senhor já fez, aproveitar-nos das situações."

Também António Mota mostrou alguma indignação, frisando que "os membros da Assembleia Municipal orgulham-se de ter sido eleitos, com a função de fiscalizar, acompanhar, pronunciar, dar sugestões ao órgão executivo". Para o vereador do PSD, "não é sua função apenas dizer se está de acordo ou não", acrescentando que "se as pessoas precisam desses galões, isso começa a preocupar-me".

Antes de colocar a proposta a votação, o presidente da Câmara, Mário João Oliveira, referiu que "durante a discussão do ponto, [Jorge Mendonça] nem uma palavra disse sobre esta matéria". "Ocorre a votação e eis que aparece esta questão. Dispenso-me de comentar."

A proposta foi rejeitada com os votos desfavoráveis dos quatro membros do PSD, contra três dos vereadores do CDS.

Laura Pires apresentou uma declaração de voto onde, mais uma vez, considerou que "as pessoas só devem receber votos de congratulação quando vão para além do que lhes é exigido". Referindo-se directamente a Jorge Mendonça, diria ainda que "não devemos em política querer parecer uma coisa e ser outra". "O dr. Mendonça procura, nas entrelinhas, atacar de forma contundente e uma pessoa que é generosa não procura tirar dividendos dessa situação".

Oriana Pataco

oriana@jb.pt
Diário de Aveiro



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